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ONU e IBGE divulgam relatórios de população

A população mundial, que hoje é de 6,1 bilhões de pessoas, deverá chegar a 9,3 bilhões em 2050, um crescimento de 50% e que deverá ocorrer, principalmente, nos países em desenvolvimento, que concentrarão, em 2050, 85% da população mundial. Enquanto a população diminuirá em 39 países com baixa fecundidade, concentrados sobretudo na Europa do Leste, os 49 países menos desenvolvidos quase triplicarão de tamanho, ao passarem de 668 milhões para 1,8 bilhão de habitantes.

Estas estimativas e projeções constam do relatório anual que o Fundo de População das Nações Unidas acaba de divulgar e que exibe as populações e os principais indicadores de cerca de 150 países. Segundo as projeções, o crescimento global se dará a uma taxa de 1,3%, o que significa um aumento de 77 milhões de pessoas a cada ano. Seis países respondem por metade desse crescimento: Índia, China, Paquistão, Nigéria, Bangladesh e Indonésia, sendo que a Índia, sozinha, é responsável por 21% do aumento total.

No Brasil, os últimos resultados do Censo Demográfico 2000 registram uma população de quase 170 milhões de habitantes e uma taxa de crescimento de 1,63% ao ano, que é a mais baixa já observada no país, refletindo o declínio da fecundidade observado nos anos 90. A queda de fecundidade, aliada à redução da mortalidade infantil, no Brasil, vem modificando rapidamente a distribuição etária da população, principalmente em relação aos pesos relativos das populações jovem e idosa. As tendências e hipóteses, segundo as projeções populacionais, revelam que, para as próximas décadas, o crescimento da população de mais de 60 anos se dará tanto em termos relativos (como conseqüência da redução da população infanto-juvenil) como absolutos, devido ao aumento da expectativa de vida. A população de 30 a 59 anos de idade deverá crescer, nas próximas décadas, em termos absolutos, mas a um ritmo mais reduzido a partir de 2020, o que representará uma forte pressão demográfica sobre o mercado de trabalho. Já o grupo de crianças, jovens e adultos jovens estará praticamente estabilizado a partir de 2005.

Fecundidade cai no conjunto dos países

Embora a fecundidade seja mais elevada nos países mais pobres, e entre as pessoas mais pobres desses países, ela caiu, no conjunto dos países em desenvolvimento, para menos de três filhos por mulher, o que representa metade da taxa de 1969, prevendo-se que venha a diminuir ainda mais, chegando a 2,17 filhos por mulher até 2045/2050. Nos países industrializados, a fecundidade é hoje de 1,6 filhos por mulher, o que significa estarem abaixo da linha de reposição e com uma população que envelhece rapidamente. Em alguns países podem chegar a ter redução de população, caso não haja migração.

Ao mesmo tempo, a esperança de vida mundial aumentou para uma média de 66 anos. Em 1950 era de 46 anos.

No Brasil, não só se manteve a tendência mundial de redução da taxa de fecundidade, que caiu de 2,7 filhos por mulher em 1992 para 2,3 filhos em 1999, como também se reduziram as diferenças regionais. Em 1992, as mulheres nordestinas tinham, em média, um filho a mais que as mulheres do Sudeste. Em 1999, esta diferença cai para a metade. Em 1992, o grupo de mulheres com nível de instrução mais baixo, de menos de quatro anos de estudo, tinha, em média, 3,6 filhos. Em 1999, esse número cai para 3,1 filhos. Desse modo, se reduzem as diferenças de nível de fecundidade segundo a posição social da mulher.

O desafio da urbanização

A crescente urbanização coloca grandes desafios aos governos e países. Segundo o relatório anual das Nações Unidas, cerca de 160 mil pessoas abandonam , todos os dias, as zonas rurais e vão para as cidades. Atualmente, quase metade dos habitantes do planeta vive em zonas urbanas. As conseqüências são o agravamento das condições de vida e a falta de infra-estrutura adequada para satisfazer as necessidades sempre crescentes nas cidades.

No Brasil, o Censo 2000 mostrou a continuidade desse processo de diminuição da população rural, com a taxa de urbanização passando de 75,59% em 1991 para 81,23% em 2000 (tabela 2). O crescimento se deu, sobretudo, nas grandes cidades. Os municípios de mais de 100 mil habitantes que contavam, em 1991, com 70,8 milhões de pessoas, passaram para 86,5 milhões em 2000. Os municípios com mais de 500 mil, que contavam com 38,8 milhões de habitantes, alcançaram 46,9 milhões em 2000. Já os municípios, com populações entre 10 e 100 mil habitantes, apresentaram baixo crescimento entre os dois últimos censos.

Instrução da mãe é determinante na mortalidade dos filhos

Enquanto no conjunto dos países há enormes diferenças entre as taxas de mortalidade infantil - que variam de 4 mortes por mil, em países como Finlândia ou Bélgica, a mais de 100 mortes por mil nascidos vivos em alguns países da África, sem falar no Afeganistão, onde a mortalidade infantil chega a 161 por mil - no Brasil, embora ainda haja grandes contrastes, a tendência é de redução das desigualdades regionais.

Os estados do Sudeste, Sul e Centro-Oeste aparecem ainda com os menores níveis de mortalidade infantil, com valores próximos de 20 mortes por mil, em oposição à região Nordeste, que registra 53 óbitos de menores de um ano por 1000 nascidos vivos, mas a região Nordeste apresentou, ao mesmo tempo, os maiores declínios de mortalidade infantil no período 1992/1999, passando de 68,4 0/00 para 53,0 0/00.

As diferenças sociais, no entanto, são fatores determinantes e condicionantes das taxas de mortalidade. No grupo de mães com menos de quatro anos de estudo, a taxa de mortalidade infantil era de 93 por mil, em 1999, enquanto no grupo de mães com mais de oito anos de estudo, o número de mortes era de 29,7 por mil ( tabela7). Para o total do país, a taxa de mortalidade é de 34,60/00 , muito próxima da meta de 330/00 estipulada pela Cúpula Mundial das Nações Unidas pela Criança, para o ano 2000.

Analfabetismo diminui no Brasil, mas a definição de alfabetização fica mais exigente

Assim como as taxas de mortalidade infantil, as taxas de analfabetismo para pessoas de 15 anos ou mais também são muito diferenciadas no mundo, variando de 0% nos países da Europa Ocidental e do Leste Europeu a taxas próximas de 50% em alguns países da África e Ásia.

No Brasil, a taxa é de 13,3% no total do país, para homens e mulheres, mas, desde o início dos anos 90, a definição de alfabetização ficou mais exigente, admitindo-se que o processo de alfabetização só se consolida de fato depois de quatro anos de estudo. Por este conceito, embora tenha havido uma redução de 7,5 pontos percentuais nesta taxa, que passou de 36,9% em 1992 para 29,4% em 1999, a proporção dos denominados analfabetos funcionais (os que não concluíram a 4ª série primária) ainda é muito alta em todas as regiões do país, sendo que no Nordeste a taxa é o dobro da encontrada nas regiões Sul e Sudeste (46,2% contra 22,3% e 21,8%, respectivamente).

Queda na fecundidade tem reflexos no mercado de trabalho

Em alguns países como o México e outros do Sudeste Asiático, a fecundidade teve uma queda tão acentuada nas últimas décadas que gerou uma numerosa população com idade entre 15 e 24, que está pronta a ingressar na população economicamente ativa sem estar sujeita à pressão de uma igualmente numerosa população de crianças, portanto dependentes. Este fenômeno é chamado de "dividendo demográfico" e dá a esses países a oportunidade de contar com uma geração teoricamente produtiva, preparada para satisfazer as necessidades de uma população teoricamente consumidora.

No mundo inteiro há mais de um bilhão de jovens com idades entre 15 e 24 anos.

No Brasil, a população de 15 a 24 anos é de 31.366.081 e a razão de dependência, que era de 64 pessoas não ativas para cada 100 pessoas em idade ativa, em 1992, também vem caindo e, em 1999, havia 55 pessoas não ativas para cada 100 (tabela 3).

Um terço da população mundial não tem acesso à água salubre

À medida que as populações aumentam, as necessidades, em termos de recursos hídricos e de saneamento também crescem. Segundo o relatório da ONU, quase 60% dos 4,4 bilhões de pessoas, que vivem em países em desenvolvimento, carecem de saneamento básico e um terço não tem acesso ao fornecimento de água salubre.

No Brasil urbano, praticamente 90% dos domicílios tem acesso à água e o abastecimento é procedente de rede geral com canalização interna, mas o esgotamento sanitário ainda é uma questão a ser enfrentada pelo poder público, seja pelos prejuízos que causa à saúde da população, seja pelos efeitos degradantes sobre o meio ambiente. Atualmente, pouco mais da metade (52,5%) dos domicílios brasileiros está ligada à rede coletora e não necessariamente todos estão ligados à rede de tratamentos de esgotos, estando, muitas vezes, apenas conectados à rede.

Segundo o relatório anual da ONU, os efeitos da pobreza destroem o ambiente, mas os pobres encontram-se no final de uma longa seqüência de causa e efeito, sendo antes os mensageiros da insustentabilidade que os seus agentes. A riqueza consome energia e produz resíduos a taxas muito superiores às da pobreza.

O crescimento demográfico e a crescente riqueza, acompanhada de mais consumo, mais poluição e mais resíduos, aliados à falta de capacidade para modificar essas circunstâncias, estão a exercer pressão crescente sobre o meio ambiente.

Domicílios urbanos com canalização interna

 1992   1999

Comunicação Social
11 de dezembro de 2001

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