Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

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  Levantamento Sistemático da Produção Agrícola

Estimativas da Produção Agrícola - Outubro de 2002

1 - Lavouras

1.1 - Situação das lavouras em outubro em relação a setembro de 2002

No Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de outubro, destacam-se as variações nas estimativas de produção, em relação ao mês de setembro, de três produtos: batata-inglesa - 3ª safra (24,99%), feijão em grão 3ª safra (19,40%) e trigo (-11,92%).

As variações observadas nas estimativas de produção da batata-inglesa e do feijão 3ª safra, são oriundas dos estados de São Paulo e Minas Gerais, onde os preços ora praticados vêm favorecendo a comercialização desses produtos.

Quanto à cultura do trigo, o decréscimo verificado neste mês, é proveniente do Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, que apresentam respectivamente, retrações de 11%, 14% e 30% em suas estimativas para outubro. Fatores de ordem climática, sobressaindo-se as geadas atípicas do princípio de setembro, prejudicaram drasticamente as lavouras de trigo nesses Estados.

1.2 - Situação das lavouras em outubro de 2002 em relação à produção obtida em 2001

Dentre os dezoito produtos analisados, doze apresentam variação positiva na estimativa de produção, em relação ao ano anterior: arroz em casca (2,97%), batata-inglesa 1ª safra (5,10%), batata-inglesa 3ª safra (4,78%), café em grão (26,75%), cana-de-açúcar (7,98%), cebola (13,16%), feijão em grão 1ª safra (34,98%), feijão em grão 2ª safra (15,21%), Feijão em grão 3ª safra (15,48%), laranja (12,13%), mandioca (1,34%), e soja em grão (11,29%). Com variação negativa: algodão herbáceo em caroço (-18,02%), batata-inglesa 2ª safra (-2,06%), cacau em amêndoa (-6,26%), milho em grão 1ª safra (- 16,65%), milho em grão 2ª safra (-1,81%) e trigo (-1,77%) .

O quadro da produção nacional de grãos, acha-se praticamente definido, uma vez que a colheita do trigo ainda se encontra em realização, mormente no Rio Grande do Sul, já que no Paraná está nos momentos finais. Com relação a informação pretérita, quando foi informado um volume total de 97,832 milhões de toneladas, neste mês, há uma queda de 0,58%, situando-se em 97,266 milhões de toneladas. Relativamente à safra anterior, o decréscimo é de 1,30%, quando foi obtida uma produção de 98,544 milhões de toneladas.

Quanto ao trigo, a posição atual (outubro), mostra uma perda de cerca de 12%, significando uma retração em torno de 400 mil toneladas em relação a última informação (setembro). Agora, espera-se para 2002 uma produção desse cereal de 3,203 milhões de toneladas ante 3,260 milhões de toneladas colhidas em 2001, ou seja, praticamente iguais as duas safras. As condições climáticas contrárias (estiagens, geadas, chuvas na colheita) nos principais estados produtores, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, são os motivos que mais evidenciam esse decréscimo na produção de trigo. As reduções nesses Estados em relação a setembro, são as seguintes: Paraná (-11%), Rio Grande do Sul (-14%) e Mato Grosso do Sul (- 30%).

1.3 - Produção de cereais, leguminosas e oleaginosas

A produção total de cereais, leguminosas e oleaginosas deverá alcançar 97,266 milhões de toneladas, inferior 1,30% do que a da safra passada (98,544 milhões de toneladas).

Em nível de Grandes Regiões, a produção brasileira está assim distribuída: Norte, 2,148 milhões de toneladas, Nordeste, 6,399 milhões de toneladas, Centro-Oeste, 31,291 milhões de toneladas, Sudeste, 14,156 milhões de toneladas e região Sul 43,273 milhões de toneladas.

1.4 - Perspectivas para a safra de 2003

O IBGE realizou em outubro, o primeiro levantamento de informações sobre as intenções de plantio, e também das áreas já plantadas para a safra de 2003, nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, e nos estados de Rondônia, Bahia, Maranhão e Piauí. A estimativa da área plantada, ou a plantar, considerando-se os nove produtos analisados, é de 33,791 milhões de hectares, superior em 2,36% à área plantada para a safra de 2002, que foi de 33,011 milhões de hectares. Se a comparação for feita com a área colhida (32,774 milhões de hectares), a área para a safra de 2003 passa a apresentar um acréscimo de 3,10%.

Desses nove produtos analisados, dois apresentam variação positiva em relação a área plantada da safra de 2002: cebola (0,09%) e soja (5,70%). Os demais, variação negativa: algodão herbáceo (-0,84%), arroz em casca (-0,16%), batata-inglesa 1ª safra (-4,77%), cana-de-açúcar (-0,93%), feijão em grão 1ª safra (-0,16%), mandioca (-9,17%) e milho 1ª safra (- 0,57%).

As primeiras perspectivas para a área plantada ou a ser plantada com algodão herbáceo nos principais Estados produtores, acusa uma redução de 0,84%, ou seja, passa de 686.068 ha cultivados em 2002 para 680.331 ha na futura safra. A principal razão desse decréscimo, é a opção pela cultura da soja, que está apresentando em relação ao algodão diversas vantagens, destacando-se, principalmente, os preços realizados na comercialização desse produto, como também de seus derivados (óleo e farelo).

Entre os Estados produtores somente a Bahia apresenta incremento, cerca de 16% a mais. Além dos aspectos positivos na comercialização da safra anterior nesse Estado, também existe um acordo entre os próprios produtores, de gradualmente aumentar o plantio de algodão, até um determinado patamar, parece-nos que em torno de 120 mil ha. Isto, quando se trata da região oeste do Estado, hoje reconhecidamente o principal pólo produtor dessa malvácea. Nos demais Estados, excetuando-se Mato Grosso do Sul que apresenta um tênue acréscimo (0,52%) e Mato Grosso que ainda não concluiu seus trabalhos de campo, as reduções da área plantada ou a ser plantada para a safra algodoeira de 2003 são as seguintes: Minas Gerais (- 3,09%), São Paulo (-3,92%), Paraná (-18,77%) e Goiás (-7,90%).

Para o arroz, este primeiro prognóstico, mostra um pequeno decréscimo da ordem de 0,16% na área plantada ou a ser plantada na safra de 2003. Em nível de Grandes Regiões, verifica-se para a região Sul, a qual se destaca na produção nacional dessa gramínea, com cerca de mais de 50% do volume de arroz produzido no país, um aumento de 0,30% na área destinada ao plantio em 2003. O Rio Grande do Sul, principal produtor, a expansão é de 0,63%, indicando uma área plantada para 2003 de 990 mil ha. As regiões Centro-Oeste e Nordeste, apresentam respectivamente, decréscimos de 1,91% e um incremento 1,76%. Vale ressaltar a expansão de 2,74% na área plantada do Maranhão, totalizando 493 mil ha e a ausência da informação do estado de Mato Grosso, que ainda não consolidou as primeiras investigações para 2003.

As primeiras informações referente à área plantada com o feijão 1ª safra ou safra das águas, revelam um decréscimo de 0,16%, situando-a em 1,405 milhão de ha. Mesmo apresentando esta redução em nível nacional, os preços praticados durante o ano de 2002 foram considerados bons para os produtores. Todavia, fatores de ordem climática, mais precisamente as geadas do princípio de setembro, que afetaram significativamente as lavouras já implantadas, e posteriormente o atraso das chuvas, que não permitiu o replantio total das áreas prejudicadas por esses imprevistos do clima. Nesse principio de safra, as diminuições mais relevantes são oriundas dos estados da Bahia (-3,91%), São Paulo (-7,98%), Santa Catarina (-8,32%), Mato Grosso do Sul (-46,37%) e Distrito Federal (-7,21%). No Paraná e na Bahia, onde a produção do feijão das águas é mais expressiva, serão plantados, respectivamente, 415 mil ha e 389 mil ha.

No caso do milho 1ª safra, esta primeira investigação sobre a área plantada, ou intenção de plantio para o biênio 2002/2003, há indicação de uma redução de (0,57%), sendo de 7,286 milhões de hectares. A razão principal dessa retração são os preços mais atrativos da soja, que apresenta um cenário mais abrangente, digamos assim, para o produtor. Não obstante, também o milho ter apresentado excelentes níveis de preços nesse ano. A baixa oferta do produto hoje no mercado, reflete a menor produção obtida em 2002, cerca de 17% inferior que a informada em 2001. Não resta dúvida, que os preços atuais do milho funcionaram como anteparo para uma maior expansão da área de soja. Se esta situação não ocorresse, o quadro de abastecimento do milho em 2003, seria bem mais sombrio do que o agora prognosticado.

O que se vislumbra, é que o milho safrinha de 2003, venha contrabalançar esse quadro ora previsto para a produção do milho da primeira safra. Entretanto, como é do nosso conhecimento, a segunda safra de milho é condicionada a riscos, preponderando os de ordem climática, agravada mais ainda, pelo atraso do plantio do milho primeira safra, ocasionado pela falta de chuvas no período recomendado pela pesquisa para o início da semeadura.

Em nível de Grandes Regiões, a Nordeste e a Sudeste, apresentam acréscimos de 12,54% e 1,70%, respectivamente, enquanto que na Sul e na Centro-Oeste, onde se concentram os grandes pólos produtores houve decréscimos, sendo de 3,62% para a primeira e 2,99% para a segunda. Entre os principais Estados produtores, notifica-se com mais relevância as reduções no Paraná (-4,30%), Rio Grande do Sul (-6,77%) e Goiás (-1,29%).

A respeito da cultura da soja, este primeiro prognóstico, demonstra um cenário positivo para todos os Estados que produzem esse grão. Assim, a área plantada ou a plantar para 2003 indica um incremento de 5,70% em relação a área plantada na safra anterior, quando foi cultivada uma área da ordem de 16 milhões de hectares. Os preços atuais acham-se muito favoráveis ao produto, razão pela qual sua área mais uma vez ultrapassa a de outras culturas, com mais ênfase para o milho, que juntas respondem por cerca de 80% da produção nacional de grãos. Além dos preços, a soja apresenta outras vantagens, tais como maior liquidez, mercado internacional, quebra da safra americana, vendas antecipadas, câmbio etc.

Dentre os maiores Estados produtores, os que apresentam acréscimos mais significativos são Goiás (10,89%), Rio Grande do Sul (5,96%), Paraná (5,84%), Minas Gerais (8,04%) e São Paulo (3,61%). Não podemos também deixar de citar o desempenho da Bahia (6,25%) e do Maranhão (13%), por se tratar de áreas de expansão da fronteira agrícola, juntamente com o Piauí. Hoje, esses três Estados têm grande importância na produção de grãos da região Nordeste. Salientamos que o estado do Mato Grosso ainda não concluiu seus primeiros levantamentos, mas as primeiras indicações sinalizam que também este Estado, terá sua área de soja ampliada para 2003.

Concluindo essas primeiras informações da safra 2002/2003, observa-se que as condições climáticas, que atrasaram o início da semeadura em vários Estados, acham-se regularizadas, com o plantio em andamento em todos os Estados, em que o calendário agrícola permite sua realização nessa época do ano. Isoladamente, ocorreu algum excesso de precipitação, mas sem comprometer com gravidade a implantação das lavouras.

Achamos, que os preços dos principais produtos agrícolas, tais como arroz feijão, milho e soja, estão atraentes para o setor, o que vem corroborando para a expansão da área plantada da safra 2002/2003. Agora, é aguardar e acompanhar com afinco, todo o cenário da safra, notadamente as nuances do clima, por se tratar de uma variável natural não controlada por nós humanos.


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