
No Brasil a imigração espanhola teve um caráter predominantemente urbano.
Nos séculos XIX e XX, manteve-se o fluxo migratório espanhol para o Brasil, mas seria, então, principalmente o galego, não mais o castelhano. No cotidiano das grandes cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro, acabaria confundido com o português que, por sua vez, seria chamado com freqüência de galego.
Importância numérica do imigrante espanhol no Brasil
Apesar de os documentos sobre a imigração espanhola serem
dispersos e pouco confiáveis, sabe-se que no
decorrer das grandes migrações transatlânticas, os espanhóis
representaram o terceiro maior contingente de estrangeiros
que escolheu o Brasil como segunda
pátria, superado apenas pelos portugueses e italianos.
Confira no gráfico abaixo as diferenças entre os registros brasileiros e os do Instituto Espanhol de Emigração. Apesar da discrepância entre os números das duas fontes, percebe-se que ambas refletem uma única tendência.
A chegada
Mal chegavam à "terra prometida", enfrentavam os mesmos problemas que haviam deixado para trás. Veja-se o caso dos espanhóis que se dirigiram para o estado de São Paulo. Pouco se conhece a respeito do seu paradeiro, após a passagem pelas hospedarias do governo. Tomavam os rumos mais diversos, à exceção daqueles que vinham cumprir acordos de trabalho previamente negociados.
Os maiores centros imigrantistas
As cidades de Santos, do Rio de Janeiro e de Salvador
foram os principais centros de recepção dos "braceros" no
Brasil. Em Salvador, porém, o movimento de entrada seria bem
peculiar. Os espanhóis que se dirigiram para a capital
baiana não participavam dos programas de imigração. Chegavam
com emprego garantido, chamados por patrícios e parentes ali
estabelecidos, proprietários bem sucedidos de pequenos
estabelecimentos comerciais, bares e hotéis.
A cidade de Santos não só abrigava uma numerosa colônia espanhola, que se espraiava nas cercanias da zona portuária, o que lhe valeu, no início do século XX, o apelido de "Barcelona Brasileira", mas também se tornou um centro de agitação e organização operárias, dominado pelos imigrantes ibéricos.
Na cidade do Rio de Janeiro, os espanhóis de fixaram principalmente nas áreas centrais da cidade, inclusive na zona portuária. Aí foram amparados pelas caixas de socorro mútuo, organizações particulares mantidas pelos imigrantes mais prósperos.
O trabalho e a inserção na vida urbana
A luta pela sobrevivência no novo local de moradia era árdua, qualquer que fosse a cidade escolhida: Santos, Rio de Janeiro, ou São Paulo.
Os recém-chegados, disputavam desde as ofertas de emprego menos qualificado, até os espaços de moradia disponíveis junto aos segmentos mais pobres da população local, sobretudo mestiços e negros que também tomaram o rumo das cidades, após a Abolição da Escravatura.
Ao lado dos portugueses, especialmente no Rio de Janeiro,
encontravam trabalho em atividades não-qualificadas, tais
como, de estivadores, ensacamento de café, em bares,
tavernas, botequins, pensões ou no comércio ambulante.
Na maioria das vezes, mal remunerados, submetidos a jornadas
de trabalho de até 16 horas, eram vistos como uma "gente
trabalhadeira e ambiciosa".
Alguns, entretanto, quando se deparavam com a dura realidade do "paraíso brasileiro", acabavam descambando para o caminho da marginalidade. Integravam-se à escória dos malandros, gatunos, rufiões, jogadores e prostitutas que gravitavam em torno do cais do porto.
Os galegos
O grupo originário da Galícia, em virtude das suas afinidades étnicas, lingüísticas e culturais com os portugueses foi o que mais se enraizou no Rio de Janeiro. Tanto assim, que a expressão "galego" servia para designar os ibéricos de um modo geral.
Nessa cidade, a comunidade hispânica aglomerava-se em áreas
densamente povoadas, não integradas ao plano de obras de
remodelação e saneamento da cidade, iniciado em 1902 pelo
Prefeito Pereira Passos. Também esta era a área
com maior incidência de habitações coletivas, os populares
"cortiços".
Os imigrantes espanhóis, portanto, compartilhavam do mesmo padrão de vida dos segmentos menos favorecidos da população carioca.
Atuação política e beneficente
Como os italianos e portugueses, os espanhóis também criaram
caixas de socorro mútuo
que prestavam auxílio médico, financeiro e jurídico aos mais necessitados. Ao que tudo indica, algumas
dessas entidades beneficentes deram origem às primeiras
organizações de trabalhadores.
Com uma ativa participação no movimento operário dos maiores
centros urbanos, no início do século XX, o trabalhador
espanhol, de um modo geral, foi rotulado de
"anarquista".